RESUMO: Este simpósio propõe reunir pesquisas em Bioarqueologia que tensionem abordagens estritamente analíticas, incorporando perspectivas críticas, éticas, bioéticas e multivocais na interpretação dos vestígios humanos no contexto sul-americano. Partindo do reconhecimento de que os remanescentes osteológicos não são apenas objetos científicos, mas também sujeitos de memória, identidade e pertencimento, buscando fomentar debates que articulem métodos bioarqueológicos, como análises osteológicas, paleopatológicas, isotópicas e genéticas, com reflexões sobre colonialidade, violência epistêmica e direitos dos povos originários e comunidades tradicionais.
O simpósio pretende acolher trabalhos que discutam desde práticas funerárias, saúde e modos de vida no passado, até questões contemporâneas relacionadas à gestão, curadoria e repatriação de acervos humanos. Serão especialmente valorizadas contribuições que dialoguem com comunidades indígenas e locais, promovendo práticas colaborativas, escuta ativa e construção compartilhada do conhecimento.
Ao propor uma Bioarqueologia que vá “entre ossos e alteridades”, este espaço busca romper com paradigmas objetificadores, reconhecendo a centralidade da ética, da sensibilidade e da diversidade de vozes na produção do saber arqueológico. Assim, pretende-se contribuir para a consolidação de uma Bioarqueologia comprometida não apenas com a ciência, mas com a justiça social, a memória e o respeito às múltiplas formas de existência e ancestralidade na América do Sul.