RESUMO: A gestão de acervos encontra-se em momento crítico de reconfiguração teórica e prática. Historicamente, instituições de guarda de patrimônio operaram sob paradigmas que privilegiavam preservar a materialidade e catalogar tecnicamente como fins em si mesmos.
As reservas técnicas e arquivos contidos em instituições de guarda precisam se abrir cada vez mais ao diálogo com a comunidade externa, visando um rompimento com aquela visão endurecida de construção dos saberes e do conhecimento erudito. A construção da memória é algo que perpassa os conjuntos de indicadores selecionados no passado que se constituem em Patrimônio, porém essa memória é refeita a cada geração e por diferentes grupos sociais que a acessam de diferentes formas. Pode-se dizer que “a Memória é uma construção no presente, a partir de indicadores culturais relativos às experiências que os indivíduos e os grupos sociais elaboram com seus semelhantes, com paisagens e com as coisas, em suas formas de subsistência, sociabilidade, celebração e representação” (BRUNO, 2015: 13). E para que essa memória possa continuar se renovando e renascendo é preciso que os documentos que a construíram permaneçam acessíveis àqueles que a constroem.
O simpósio constitui um espaço crítico, inovador e interdisciplinar de reflexão, dedicado a consolidar a gestão de acervos mediante referenciais teóricos inovadores, fomentar questionamento crítico sobre paradigmas estabelecidos—considerando dimensões políticas, sociais e epistemológicas da guarda patrimonial—, integrar perspectivas de história, filosofia, estudos de informação, museologia, arquivologia, antropologia e estudos culturais, mapear desafios emergentes relacionados à digitalização, descolonização e inclusão, e fortalecer comunidades acadêmicas comprometidas com a teorização da gestão de acervos.
Convidamos a todos submeterem contribuições originais que proponham novas perspectivas sobre a natureza e função social dos acervos, critiquem paradigmas vigentes, desenvolvam ferramentas conceituais para desafios epistemológicos, políticos e éticos, aprofundem fenômenos como digitalização e participação comunitária, e articulem teoria com prática transformadora. Os temas abrangem epistemologias e fundamentos conceituais (ontologias de acervos, materialidade e organização), curadoria, mediação e narrativas (práticas políticas, descolonização e silenciamentos), memória, identidade e representação (memória coletiva, repatriação e justiça patrimonial), transformações digitais (acervos nativos digitais, metadados e preservação ética), gestão e crítica institucional (governança, participação e acervos comunitários) e interdisciplinaridade (perspectivas filosóficas, pós-coloniais, descoloniais e dos Estudos de Ciência e Tecnologia—STS).