SIMPÓSIO 28 – LITERATURA E OUTRAS ARTES EM PERSPECTIVA DECOLONIAL: POÉTICAS, ESTÉTICAS E EPISTEMOLOGIAS PLURAIS

RESUMO: Este simpósio temático propõe reunir pesquisas que investiguem a literatura e outras artes a partir de uma perspectiva decolonial, enfatizando práticas poéticas, estéticas e epistemológicas que tensionam os paradigmas eurocêntricos de produção e legitimação do conhecimento, considerando novas formas de ser/estar e se manifestar através da arte na contemporaneidade (KILOMBA, 2019). Parte-se do entendimento de que a arte, em suas múltiplas linguagens — literatura, música, artes visuais, performance, cinema, entre outras —, constitui um espaço privilegiado de resistência e (re)invenção de subjetividades historicamente silenciadas pela colonialidade do poder e do saber (QUIJANO, 1992). Desta forma, o simpósio busca acolher trabalhos que dialoguem com produções artísticas afro-brasileiras, indígenas, diaspóricas e periféricas, evidenciando modos outros de narrar, sentir e conhecer o mundo (EVARISTO, 2026) a partir de um prisma decolonial de elaboração artística. Interessa-nos destacar poéticas insurgentes que rompem com cânones hegemônicos, bem como estéticas que reconfiguram as formas de representação e de linguagem, afirmando identidades plurais e saberes situados a partir de experiências daqueles que historicamente produzem literaturas menores (DELEUZE, GUATARRI, 1977) a partir de seus lugares de subalternos (SPIVAK, 2014), num movimento de visibilidade, análise e crítica profícua acerca das produções estéticas que divirjam do cânone tradicional. Nesse sentido, conceitos como escrevivência, memória, ancestralidade, oralitura, corporeidade e devir negro do mundo emergem como operadores críticos fundamentais para a análise das obras artísticas em debate, considerando estes novos conceitos como fundamentais para a compreensão de uma arte que surge das margens, criada a partir das experiências dos habitantes das bordas do mundo (MBEMBE, 2022). Num movimento de costura das discussões aqui propostas, o espaço visa fomentar reflexões sobre epistemologias plurais que deslocam o olhar acadêmico tradicional, valorizando saberes não hegemônicos e práticas de conhecimento enraizadas em experiências históricas de resistência. Ao articular arte e decolonialidade (PAIVA, 2022), o simpósio propõe-se a fortalecer uma crítica cultural comprometida com a justiça social, a valorização da diversidade epistêmica e a construção de horizontes mais plurais no campo das humanidades, debatendo e problematizando a multiplicidade de estéticas que emergem de experiências diversas — marcadas por atravessamentos de raça, gênero, classe, memória e território, sobretudo em diálogo com as produções do Sul Global. Assim, o simpósio se configura como um espaço de interlocução crítica e intercultural, capaz de promover deslocamentos teóricos e políticos que contribuam para a reconfiguração das epistemologias e das práticas culturais contemporâneas.