RESUMO: As mudanças climáticas representam um dos principais desafios contemporâneos, deixando de ser uma ameaça futura para se configurar como uma realidade que impacta diretamente sociedades, economias e territórios. O Relatório de Riscos Globais 2026, do Fórum Econômico Mundial, alerta que eventos extremos como ondas de calor, enchentes, secas prolongadas e tempestades intensas devem liderar o ranking dos maiores riscos globais até 2036, superando crises econômicas e conflitos armados. No Brasil, essa realidade já se manifesta de forma irrefutáveis. Dados da pesquisa “A Percepção de Brasileiros sobre Adaptação Climática” (Instituto Talanoa/Ipsos, 2026) revelam que 66% da população percebe o aumento da frequência de eventos extremos em suas regiões, e 24% já precisaram abandonar temporariamente suas casas em decorrência de enchentes, deslizamentos ou incêndios. Além dos impactos imediatos sobre moradia, saúde e infraestrutura, a crise climática afeta diretamente o patrimônio cultural brasileiro em suas dimensões material e imaterial. Sítios arqueológicos, conjuntos arquitetônicos históricos, paisagens culturais e territórios de povos e comunidades tradicionais enfrentam riscos crescentes de degradação, descaracterização ou mesmo destruição total. Como apontam diversos relatórios da UNESCO e ICOMOS, a elevação acelerada do nível dos oceanos que estudos recentes indicam ser maior do que o estimado ameaça bens culturais localizados em zonas costeiras, enquanto incêndios e secas comprometem saberes, práticas e modos de vida associados a biomas como o Pantanal, a Amazônia e o Cerrado. Diante desse cenário, a perda de patrimônio imaterial tais como línguas, rituais, festas e ofícios tradicionais que emerge como uma das dimensões mais sensíveis e ainda pouco compreendidas das chamadas perdas e danos não econômicos associados às mudanças climáticas permanecem pouco compreendidos e superficialmente abordado na literatura. Em resposta a essa urgência, o Brasil avançou na construção de marcos referenciais. Este simpósio propõe reunir em debate abordagens inter e transdisciplinares para debater experiências e estratégias que busquem a interface entre patrimônio cultural e adaptação climática, com foco em diagnósticos de risco, salvaguarda preventiva, conhecimentos tradicionais e governança participativa. Busca-se fortalecer o papel do patrimônio como elemento central na construção de futuros mais resilientes e sustentáveis a partir de diferentes contextos e estudos de casos.