RESUMO: Esse simpósio propõe uma reflexão sobre o “abismo metodológico” que ainda separa a Arqueologia das Geociências e da Climatologia. Este enfoque interdisciplinar é crucial, dada a crescente necessidade de associar dados arqueológicos a condições ambientais para entender as vulnerabilidades socioambientais, especialmente na perspectiva do Sul Global. Estudos contínuos veem mudando a visão tradicional do determinismo ambiental ou da adaptação humana. Nesse enfoque, o clima é percebido como a variável independente que condiciona o assentamento, a mobilidade e a subsistência dos grupos humanos, analisando como eventos de seca prolongada, glaciações ou transgressões marinhas forçaram reconfigurações socioculturais ou, em casos extremos, o colapso de civilizações. Estudos atuais focam na Agência Humana versus a Modelagem computacional, que se conflitam em termos da abordagem sobre como modelos estatísticos tendem a ignorar a “subjetividade” humana. Na Arqueologia, a Agência são as escolhas humanas que nem sempre seguem a lógica do “menor esforço” ou da “maximização econômica”. Nesse sentido, deve-se levar em consideração o Problema da Resolução (Downscaling) em que o grande desafio é o downscaling é esclarecer sobre como um modelo climático global opera em centenas de quilômetros, enquanto um sítio arqueológico é um ponto específico na paisagem com microclima próprio. Também chamamos atenção para a Arqueologia como “Laboratório do Futuro” em que a Arqueologia não estuda apenas o passado; ela oferece dados de “longa duração” (longue durée) sobre estratégias de resiliência que falharam ou tiveram sucesso, servindo de base para políticas de mitigação climáticas atuais. Duas esferas de problematização são evidentes. A primeira esfera é mais usual dentre esses estudos, porque mostra como o clima subjugou seres humanos e obrigaram-nos a remodelar o ambiente. Na segunda esfera, ocorre o inverso, ou seja, tratam das respostas e adaptações das populações humanas frente às variações climáticas e ambientais de origem natural. Nesse enfoque, o clima é percebido como a variável independente que condiciona o assentamento, a mobilidade e a subsistência dos grupos humanos, analisando como eventos de seca prolongada, glaciações ou transgressões marinhas forçaram reconfigurações socioculturais ou, em casos extremos, o colapso de civilizações.