RESUMO: A presente proposta de Simpósio Temático Coordenado insere-se no debate contemporâneo sobre musealização comunitária, ecomuseologia e educação patrimonial em perspectiva arqueológica, compreendendo os museus como dispositivos sociais, educativos e territoriais em constante produção de sentido. Parte-se das contribuições de Hugues de Varine (2012), que amplia a noção de museu para além de suas estruturas institucionais, compreendendo o patrimônio como prática viva e recurso de desenvolvimento comunitário, em diálogo com Paulo Freire (1987), para quem a educação se constitui como prática dialógica, emancipatória e enraizada no território. No campo da museologia contemporânea, dialoga-se com a museologia crítica de Smith (2006) e com as abordagens participativas de Simon (2010), que compreendem os museus como espaços de negociação de sentidos, participação social e produção coletiva de memória. No contexto brasileiro, as contribuições de Chagas (2006) e Brulon Soares (2018; 2020) fortalecem a compreensão da museologia social como campo de disputa simbólica e afirmação de direitos culturais. O simpósio propõe discutir experiências desenvolvidas pelo Ponto de Cultura Museus como Espaços que Educam, que articula ações de educação patrimonial envolvendo escolas, comunidades e espaços de salvaguarda da memória, com destaque para intervenções realizadas no Sítio do Físico, território marcado por ruínas, vestígios arqueológicos e sambaquis, constituindo-se como campo privilegiado de práticas de musealização comunitária. A proposta enfatiza o papel das escolas como mediadoras fundamentais na construção de processos pedagógicos territoriais, promovendo o reconhecimento das histórias locais, memórias coletivas e identidades comunitárias. Por fim, será apresentado o lançamento de um documentário produzido no Sítio do Físico e no Centro Histórico de São Luís, como estratégia de difusão científica e cultural, ampliando o debate sobre preservação do patrimônio arqueológico, musealização comunitária e educação patrimonial. O debate busca ainda contribuir para o fortalecimento de práticas museológicas comprometidas com a participação social e com a valorização dos saberes locais, entendendo o território como espaço de aprendizagem e produção de conhecimento. Nesse sentido, a educação patrimonial é compreendida como prática interdisciplinar que articula arqueologia, museologia e educação, promovendo processos de conscientização crítica sobre o patrimônio cultural e suas múltiplas camadas de significado. O simpósio também visa refletir sobre os desafios contemporâneos da preservação em contextos comunitários, considerando as tensões entre políticas institucionais de patrimônio e as dinâmicas vivas das comunidades locais, bem como as possibilidades de construção compartilhada de narrativas sobre o passado e o presente. Dessa forma, busca-se consolidar experiências de musealização comunitária como práticas educativas transformadoras e socialmente engajadas no espaço.