SIMPÓSIO 41 – SER MULHER NA ARQUEOLOGIA: EXPERIÊNCIAS DE CAMPO, PESQUISA E PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO

RESUMO: O cotidiano de profissionais em arqueologia desvela muitas assimetrias quando analisamos com perspectivas decoloniais. Novas camadas de conhecimentos arqueológicos perpassam relações sociais, políticas e históricas, tornando as novas epistemologias fundamentais ao evidenciar que todo conhecimento é produzido a partir de posições específicas, tensionando a ideia de neutralidade científica. No cenário sul-americano, embora haja crescimento da presença de mulheres na arqueologia, persistem desigualdades estruturais que atravessam trajetórias acadêmicas, experiências de campo e condições de trabalho. Questões como divisão sexual do trabalho, maternidade, cuidado, precarização e violências institucionais configuram dimensões centrais dessas experiências, permitindo compreender como gênero se articula a processos mais amplos de poder, colonialidade e desigualdade. Partindo desse panorama, esta mesa propõe articular experiências, trajetórias e produção de conhecimento, reunindo trabalhos que explorem as múltiplas formas pelas quais ser mulher atravessa o fazer arqueológico na América do Sul. Mais do que dar visibilidade, busca reconhecer essas experiências como instâncias de produção teórica, capazes de tensionar categorias analíticas e reconfigurar interpretações.

Inserida no campo de teorias arqueológicas, a proposta se ancora na crítica à separação entre teoria e prática, entendendo que a experiência seja em campo, laboratório ou na escrita, constitui condição da própria teoria, sendo assim, práticas e trajetórias não são externas, mas constitutivas da produção do conhecimento. A mesa, portanto, busca acolher trabalhos que dialoguem com diferentes perspectivas teóricas e metodológicas, desde que comprometidos com a problematização das relações entre gênero e produção do conhecimento arqueológico. Entre os possíveis eixos temáticos, destacam-se: relatos e reflexões sobre experiências de campo e trajetórias acadêmicas de mulheres na arqueologia; discussões sobre maternidade, cuidado e organização do trabalho; análises sobre violências, assédios e desigualdades de gênero no contexto arqueológico; estudos sobre representatividade e participação feminina na construção da arqueologia enquanto campo disciplinar; investigações arqueológicas que tenham as mulheres como foco analítico em contextos do passado; e propostas que articulem gênero, materialidade e epistemologia, explorando como diferentes posicionamentos influenciam a produção e a interpretação dos dados arqueológicos. A mesa também busca discutir abordagens interseccionais, considerando perfis geográficos e/ou ancestralidades, hierarquizações sociais e territorialidades. Pretende-se contribuir para os debates em teoria arqueológica, evidenciando que os atravessamentos de gênero são centrais à compreensão da produção do conhecimento, promovendo uma arqueologia mais crítica, reflexiva e situada.