RESUMO: Propomos este simpósio como um espaço de escuta e partilha de saberes — um território de circulação horizontal entre experiências, epistemologias e práticas de produção e comunicação científica, em ruptura com o modelo eurocentrado. É nesse movimento que o Espaço Ciência Maria Firmina dos Reis (ECMFR), o Grupo de Pesquisa em Ensino de Ciência (gPEC) Emaranhando, o Grupo de Pesquisa em Gênero, Memória e Identidade (GENI), e o Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Educação Matemática, Formação de Professores e Educação das Relações Étnico-Raciais (GEPEMFERER), convidam a comunidade acadêmica e não acadêmica, em especial a da Arqueologia, para um diálogo interdisciplinar sobre Divulgação Científica (DC) a partir de uma Perspectiva Decolonial e Interseccional. Partimos da compreensão de que a DC tem historicamente operado a partir de matrizes coloniais que estruturam centros, espaços e museus de ciência, incluindo instituições voltadas à arqueologia e ao patrimônio, produzindo silenciamentos e reproduzindo hierarquizações de saberes. Nesse contexto, propomos refletir sobre práticas insurgentes de DC que reconheçam comunidades historicamente marginalizadas como legítimas produtoras de conhecimento, e não como receptoras passivas. Assim, colocamos a seguinte interrogação: como comunicar Ciência na América Latina sem reproduzir as amarras da colonialidade que invisibilizaram conhecimentos indígenas, africanos e afro-diaspóricos, bem como as produções de mulheres, pessoas negras e LGBTQIAPN+? Ao tensionar essas questões, nos alinhamos ao debate sobre as democracias na América do Sul, entendidas como processos em disputa que atravessam a produção, circulação e legitimação dos saberes. Nesse sentido, esperamos reunir trabalhos que: 1. Analisem criticamente práticas hegemônicas de DC à luz da colonialidade do poder, do ser, do saber, do gênero, da sexualidade e da natureza, identificando a presença dos marcadores sociais da diferença em museus, mídias, materiais didáticos, plataformas digitais e/ou outros meios de comunicação. 2. Evidenciem e valorizem saberes científicos produzidos por mulheres indígenas, quilombolas, africanos e afro-diaspóricos, populações negras e LGBTQIAPN+, frequentemente excluídos dos circuitos formais de comunicação da Ciência. 3. Apresentem experiências de DC colaborativa e comunitária que rompam com o modelo de déficit e adotem metodologias participativas em diálogo horizontal com comunidades tradicionais; 4. Mobilizem a interseccionalidade como ferramenta teórico-metodológica para a DC, permitindo analisar como diferentes marcadores sociais da diferença se entrelaçam na produção de desigualdades no acesso à ciência e na participação em sua comunicação; 5. Proponham linguagens, formatos e práticas de comunicação em ciência e tecnologia que incorporem cosmovisões indígenas e africanas, saberes tradicionais sobre território, cura, agricultura, cultura material, e visibilizem corpos e sexualidades dissidentes.