RESUMO: Este Simpósio Temático propõe um espaço de debate crítico e interdisciplinar sobre as complexas interseções entre a Arqueologia e a crise climática global no contexto do Antropoceno. Partindo da perspectiva de que o patrimônio arqueológico se constitui não apenas como um vestígio estático de tempos passados e presentes, mas como uma categoria política, social e sensível às transformações ambientais contemporâneas, convidamos pesquisadores de diversas trajetórias teóricas e metodológicas para discutir como a disciplina deve responder à emergência planetária. A Arqueologia, por sua vocação intrínseca para o estudo da longa duração, oferece uma perspectiva única sobre a resiliência humana, as adaptações culturais e as transformações das paisagens ao longo dos milênios. No entanto, o registro arqueológico enfrenta hoje uma vulnerabilidade sem precedentes. Eventos climáticos extremos — como a subida do nível do mar, incêndios florestais de grande escala, inundações severas e processos de desertificação — ameaçam a integridade física de sítios em todo o globo. Essa perda transcende a destruição de dados biofísicos ou estratigráficos; ela representa uma erosão acelerada da memória coletiva e da identidade de comunidades locais, tradicionais e periféricas, especialmente no Sul Global, onde as assimetrias sociais potencializam os danos climáticos.Este simpósio busca acolher comunicações que transcendam as barreiras cronológicas (pré-colonial, histórica, contemporânea) e técnicas (arqueometria, arqueologia subaquática, bioarqueologia, etc.), focando em quatro eixos articuladores: 1) Impactos, Monitoramento e Mitigação: Estudos de caso sobre sítios arqueológicos sob risco iminente e o desenvolvimento de estratégias de salvaguarda digital ou física frente ao colapso ambiental; 2) Arqueologia Pública e Justiça Climática: O papel ético e social do arqueólogo na mediação de conflitos socioambientais e na valorização dos saberes locais como ferramentas de resistência; 3) Teoria e Epistemologia do Antropoceno: Releituras sobre a dicotomia natureza/cultura e como a Arqueologia pode informar políticas públicas de adaptação climática; 4) Educação Patrimonial e Comunicação Científica: O uso da cultura material e da memória sensível para sensibilizar a sociedade sobre os limites do crescimento e os futuros possíveis do planeta. A proposta é constituir um espaço plural e fundamental para a discussão sobre o presente e futuro da arqueologia. O objetivo final é fomentar uma arqueologia engajada e descolonizada, que não se limite a documentar a destruição, mas que atue ativamente na construção de uma ciência resiliente, capaz de dialogar com as urgências do presente e projetar horizontes de sustentabilidade e justiça social.