RESUMO: Nos últimos anos, a arte rupestre tem se consolidado como um objeto de investigação transdisciplinar, na qual convergem saberes e perspectivas epistemológicas provenientes da Antropologia, História da Arte, Psicologia Evolutiva, Ciências Cognitivas e Arqueologia. Como evidência cultural milenar, o fenômeno da arte rupestre condensa momentos específicos da história, da cosmovisão e da agência simbólica das sociedades que a produziram. O interesse sistemático ao seu estudo remonta ao final do século XIX, discutindo questões relacionadas a origem do pensamento abstrato; a evolução da capacidade técnica; e ao desenvolvimento do sistema comunicacional e simbólico das sociedades autoras. Atualmente, porém, o estudo da arte rupestre enfrenta um cenário com um amplo conjunto de definições, tanto para os termos e nomenclaturas utilizadas para referenciar esse fenômeno, quanto para as referências conceituais que discutem métodos de documentação e abordagens analíticas. Essa diversidade, embora legítima e fecunda, impõe desafios significativos à construção de diálogos horizontais entre pesquisadores e comunidades indígenas. Diante desse panorama, o presente simpósio propõe-se a ser um espaço colaborativo para discussão e troca de saberes sobre as investigações em arte rupestre na América Latina. Essa proposta parte do reconhecimento das multiplicidades ontológicas desse fenômeno, com pluralidade de práticas, funções, conteúdos, expressões e representações que variam conforme os contextos históricos, ecológicos, sociais e cosmológicos nos quais se insere. O simpósio pretende também ser um convite à revisão crítica de nossas próprias práticas diante da arte rupestre, reconhecendo sua dualidade de percepção, onde para as sociedades indígenas, herdeiras dessas tradições, ela é sujeito, lugar de memória, afeto e agência cultural. Para arqueólogos é frequentemente objeto de estudo analítico; e para o Estado, configura-se como patrimônio a ser inventariado, preservado e musealizado. Essas diferentes posições não são apenas técnicas e disciplinares, mas políticas e ontológicas, de forma que aqui, nesse espaço, pretende-se que essas discussões contribuam para o estudo da arte rupestre como um território de relações horizontais e colaborativas.