SIMPÓSIO 35 – MUSEUS VIVOS E COMUNIDADE EM MOVIMENTO: CULTURA, MEMÓRIA E PRÁTICAS DECOLONIAIS NO TERRITÓRIO DO COROADO – SÃO LUÍS–MA

RESUMO: O presente Simpósio Temático propõe uma reflexão sobre a relação entre museologia social, práticas decoloniais e produção comunitária de memória a partir do estudo do território do Coroado, em São Luís do Maranhão. Visa uma reflexão sobre temáticas como Museu e decolonialidade; Cultura e patrimônio; Pensamento decolonial e Museologia Social; Museu como espaço de educação e identidade; Decolonialidade e participação comunitária; políticas culturais e sustentabilidade do território. A discussão ancora-se nas perspectivas de Brulon (2018), Chagas (2017) e Mignolo (2020), ao defender que descolonizar a museologia implica redistribuir a autoridade sobre a memória, valorizando epistemologias locais e modos outros de narrar o mundo. A partir dessa abordagem, o bairro do Coroado, é compreendido como um museu vivo, no qual as práticas sociais e culturais da comunidade são expressas nas ações socioambientais como as do Projeto UNA-SE: Cultura, Educação Ambiental, Patrimonial e de Igualdade de Gênero, da Universidade Federal do Maranhão em parceria com a Rede Coroado de Natal, que reforça essa dimensão ao promover ações de musealização social e educação patrimonial, por meio de atividades como a realização de oficinas com a comunidade, o inventário do Sítio do Físico: o mapeamento de trilhas e ruínas, expressam uma prática museológica decolonial, ancorada na escuta, na ancestralidade e na partilha de saberes (Brulon, 2018; Marziale, 2024). Assim, o Coroado configura-se como campo de experimentação da museologia insurgente, rompendo hierarquias e reconhecendo a comunidade como produtora de conhecimento e memória. Em sintonia com Canclini (2015) e Chauí (2006), a cultura local se afirmar como espaço de cidadania e criação de novos modos de existir. O território se revela, enfim, como museu vivo e comunitário, onde memória, pertencimento e arte convergem. Metodologicamente, o trabalho resulta das ações do Projeto de Extensão UNA-SE/UFMA, em parceria com a Rede Coroado de Natal. Foram utilizados procedimentos qualitativos, baseados na observação participante, escuta sensível e diálogo comunitário, com ênfase na documentação das práticas culturais, narrativas orais e ações coletivas realizadas no território. Desta forma, o simpósio busca discutir como o território, entendido como espaço simbólico e social, se constitui em lugar de memória, educação e pertencimento, evidenciando a potência das práticas culturais populares na construção de políticas culturais e museológicas voltadas à emancipação social e à sustentabilidade comunitária. Conclui-se que, apesar dos avanços, os museus tradicionais, ainda utilizam e perpetuam uma visão tradicional – resquícios de uma cultura eurocentrada e, portanto, necessitam de uma adequação às tendências atuais de decolonização do pensamento museológico; Valorização das Ações sociais e educativas com e para a comunidade; Ressignificar a participação das comunidades para a revalorização dos sabres e fazeres tradicionais.