RESUMO: Este simpósio temático propõe um debate interdisciplinar sobre as práticas funerárias em diferentes temporalidades, alinhado ao eixo “Interdisciplinaridade na construção de narrativas sobre o passado” e ao tema central do XII TAAS, “Arqueologias pelas Democracias na América do Sul”. Os contextos funerários ultrapassam a dimensão biológica, constituindo-se também como fenômenos sociais que expressam estruturas políticas, identidades e relações de poder. Conforme argumentam O´Shea (1981) e Pearson (1999), as práticas mortuárias configuram estratégias dos vivos, permitindo à Arqueologia e outras ciências acessarem aspectos da organização social e das dinâmicas de poder. Nessa perspectiva, o rito é compreendido como uma expressão performativa da memória (Laneri, 2007), capaz de materializar relações sociais e identitárias que se projetam na longa duração. Tal dimensão simbólica permite que a Arqueologia atue como ferramenta crítica para desvelar experiências coloniais e “momentos de perigo” na paisagem (Mathews, 2012; Muller, 2015), especialmente ao analisar a transformação dos “lugares dos mortos” em espaços integrados à malha urbana (Rodrigues, 1997). No contexto sul-americano o estudo da simbologia, da historicidade e da materialidade em torno da morte, assume um papel fundamental para a compreensão de cenários históricos e culturais marcados pela colonialidade, violência e etnocentrismo, abrangendo desde as sociedades pré-coloniais até os ritos e manifestações de um passado recente. Sendo assim, propõe-se um simpósio que objetiva reunir pesquisas que mobilizem diferentes abordagem em torno da materialidade e da imaterialidade envolvendo os contextos funerários, tanto sob a ótica da Bioarqueologia, bem como Antropologia, História e Arqueologia da Morte. Desta forma, serão bem-vindos trabalhos que abordem temáticas relacionadas aos contextos funerários em seus diferentes espectros analíticos, abrangendo aspectos como o tratamento dado ao corpo, o estudo de remanescentes humanos e a interdisciplinariedade na produção do conhecimento biarqueológico, além de estudos que evidenciem as complexas dinâmicas de religiosidade, monumentalidade e ética aplicada aos espaços fúnebres, buscando articular a pesquisa à responsabilidade social de narrar o passado por vezes invisibilizados, seja pelo tempo ou seja por conjunturas sociais que induzem a marginalização e ao esquecimento de culturas ou de episódios historicamente subvocalizados, portanto, as exposições selecionadas devem corroborar com debates que colaborem na construção de um presente mais inclusivo, democrático e plural.