RESUMO: O presente simpósio visa reunir pesquisas voltadas a investigação das diversas formas de produção teórica sobre territórios, memória e afetividades no contexto afro-diaspóricos brasileiro, enfatizando as cosmoperspectivas pluriversais por partir da compreensão dos regimes modernos marcado pelo colonialismo operam como um sistema de saber-poder que institui hierarquizações raciais, epistêmicas e afetivas. Assim, o simpósio se coloca como espaço para tensionamento destas leituras hegemônicas, valorizando epistemologias nomeadas como contracoloniais em Antônio Bispo dos Santos, ancestrais em Ailton Krenak ou como insurgentes na desobediência por Andreone Medrado, permitindo a reconfiguração das noções de território para além do geográfico, incorporando dimensões simbólicas, espirituais, afetivas e políticas. Estamos interessadas em compreender como pessoas e coletividades afro-diaspóricas elaboram estratégias de existência, permanência e reexistência frente ao apagamento, violência e o silenciamento. A proposta dialoga com abordagens interdisciplinares, mobilizando campos da educação, antropologia, sociologia, estudos culturais, estudos de gênero, estudos decoloniais e contracoloniais. Serão escolhidas pesquisas de análises críticas e propositivas, evidenciando práticas de resistências, redes de cuidado, pedagogias insurgentes e conflitos por identificação e legitimidade. O simpósio priorizará contribuições distribuídos nos eixos temáticos como: Políticas educacionais e arte educacionais antirracistas e de questões étnico-raciais, com discussões a partir dos tensionamentos da colonialidade do saber, destacando experiências pedagógicas e currículos-insurgentes; Interseccionalidade de raça, gênero e classe na produção do conhecimento afro-diaspórico, privilegiando afetividade, relações de poder e estratégias de resistência negra feminista, transfeminista e interseccionais; Povos, comunidades tradicionais e religiões afro-brasileiras, a partir dos saberes sobre territorialidade, modos de vida, espiritualidades e organização de povos; A branquitude como categoria de análise no campo afro-diaspórico, problematizando sua constituição histórica e seus efeitos contemporâneos, a partir do tensionamento de sua posição estrutural e relacional de poder, responsável pela manutenção e reprodução de privilégios simbólicos, materiais e afetivos, bem como das hierarquias raciais que sustentam a colonialidade. O simpósio será estruturado em até 3 sessões com apresentação de até 15 pesquisas. Cada sessão com apresentações orais de 10-15 minutos por pesquisas, seguido de debate coletivo e possibilidade de participação e de um debatedor convidado. Os trabalhos selecionados devem seguir os critérios de pertinências ao tema do simpósio, consistência teórico-metodológica e contribuição para o campo de estudos, visando fortalecimentos das pesquisas nacionais, consolidação de diálogos interdisciplinares e contraeurocêntricos, estímulo a práticas acadêmicas pluriepistêmicas.