RESUMO: Esta proposta de simpósio temático coordenado, intitulada Vivências e Ações no Campo da Memória e da Educação pelo Patrimônio na América do Sul, tem como objetivo a realização de reflexões e debates sobre as experiências de pesquisas aplicadas sobre referências patrimoniais, em diferentes campos, desenvolvidas na América do Sul. Para tanto, nesse simpósio temos como objetivo compartilhar as experiências vividas na ação comunitária, na preservação de memórias e na educação, principalmente voltadas para o patrimônio arqueológico. O encontro visa o compartilhamento de metodologias que podem ser empregadas como meio para relacionar as pesquisas ao fortalecimento de comunidades e territórios, ambicionando a compreensão de dinâmicas estabelecidas sobre estruturas e ontologias não ocidentais, como a organização multidimensional das relações espaço-tempo, as tecnologias sociais, a pluralidade de memórias e as etnografias arqueológicas. Busca-se, sobretudo, ancorar a discussão nos referenciais teóricos atentos aos desafios do antropoceno e capitaloceno. Nesse caso, as emergências climáticas ganham destaque para a salvaguarda do patrimônio material, mas outras aplicações devem ser pensadas, por atingirem diretamente populações e camadas sociais mais fragilizadas, bem como comunidades tracionais com diferentes concepções sobre a vida. Indagamos em qual profundidade as mudanças ambientais atingem vivências, memórias e o modo de relacionar nos relacionarmos com o ambiente. Assim, é compreendido que a paisagem é parte da vida humana, e que ela só existe a partir de nosso julgamento, apreciação, compreensão. Ela é uma construção humana, não existindo apenas na materialidade, se constituindo em camadas de práticas socioculturais, narrativas, memórias, vivências e trajetórias históricas. As ocupações contemporâneas se estabelecem, se apropriam e reinterpretam aquelas anteriores. Entende-se, assim, que as paisagens, os seres humanos e os não humanos, são vetores de interrelações, negociações, agencialidades e reciprocidades. Não existe paisagem sem humanos, não existe humanidade sem paisagem – relação que se insere em diferentes patrimônios. Espera-se, neste simpósio temático, trocar experiências sobre a diversidade de relações estabelecidas entre as pessoas e “Patrimônio”, sobretudo observadas pelo fazer arqueológico, em todo o continente sul-americano. Assim, nosso objetivo central é reunir trabalhos com enfoque nas pessoas, que valorizam a compreensão de suas experiências, conhecimentos, referências e legado, assim cooperando efetivamente para a discussão da educação em pesquisas patrimoniais, em diferentes formas do saber.