RESUMO: Este simpósio temático propõe reunir trabalhos que investigam os fundamentos teóricos que orientam as práticas relacionadas aos acervos arqueológicos na América do Sul, deslocando o foco de uma abordagem técnica aplicada para uma reflexão crítica sobre seus pressupostos epistemológicos, políticos e históricos. Partimos do entendimento de que os acervos não constituem apenas conjuntos materiais a serem geridos, mas sim dispositivos de produção de conhecimento, mediação cultural e exercício de poder, historicamente vinculados a projetos científicos e institucionais. Inclusive os acervos são uma construção do campo disciplinar arqueológico em diálogo com outras áreas do conhecimento. Nesse sentido, buscamos discutir quais teorias sustentam ações de gestão, documentação, conservação e comunicação, em que medida permanecem ancoradas em matrizes modernas, ocidentais e universalizantes, e quais alternativas têm sido formuladas a partir das epistemologias do sul, perspectivas decoloniais, indígenas, entre tantas outras. Buscamos também compreender como diferentes regimes de valor, classificação e circulação dos objetos arqueológicos são construídos e disputados, bem como os efeitos dessas dinâmicas na produção de narrativas sobre o passado e na relação com comunidades e territórios. Serão bem-vindas contribuições que analisem criticamente teorias do colecionismo e da formação de acervos, problematizam processos de patrimonialização e institucionalização, explorem tensões entre dimensões técnicas e políticas das práticas curatoriais e apresentem experiências que tensionam modelos consolidados, especialmente em contextos colaborativos, participativos ou comunitários. Ao propor este espaço de diálogo, pretendemos fomentar um balanço crítico do campo, evidenciando continuidades e rupturas nas abordagens teóricas, contribuindo para a construção de práticas mais reflexivas, plurais e socialmente comprometidas. Assim, os acervos arqueológicos são compreendidos para além de sua dimensão prática, como campos dinâmicos de disputa, negociação e criação, nos quais se articulam diferentes saberes, temporalidades e projetos de futuro.